quinta-feira, 4 de junho de 2009

Juventude? Não, obrigado.

No passado mês de Março, a bancada do Partido Socialista na Cãmara Municipal de Vendas Novas teve oportunidade de apresentar uma proposta de criação do Conselho Municipal de Juventude de Vendas Novas.

Os Conselhos Municipais de Juventude (CMJ) pretendem ser órgãos consultivos das autarquias, que permitem dar voz aos reais interesses e preocupações dos jovens, para que as políticas dos Executivos Camarários possam ir ao encontro das necessidades da juventude.

Eram já vários os concelhos por todo o país que, antes de dia 18 de Fevereiro de 2009 (data em que entrou em vigor a lei que institui a existência de um CMJ em todos os concelhos do País) tinham criado este órgão, por saberem do papel vital que os jovens têm na construção de um futuro melhor.No entanto, para espanto de todos e vergonha do executivo CDU, a proposta foi recusada pela maioria no poder que, infelizmente, continua a colocar interesses partidários acima dos problemas dos munícipes.

A má relação da CDU com os jovens da nossa terra não é de hoje. Não é por acaso que a maioria dos jovens com qualificações ao nível da licenciatura e estudos pós-graduados não tem emprego em Vendas Novas e, consequentemente, não residem em Vendas Novas. A Autarquia não se preocupa em fixá-los no Concelho. Não é também por acaso que as ofertas culturais dos concelhos limítrofes como Montijo ou Montemor-o-Novo sejam mais procuradas pelos jovens de Vendas Novas. A Autarquia não cria atractivos neste campo.

Do CMJ de Vendas Novas fariam parte os representantes das Associações de Estudantes das Escolas EBI e Secundária com 3º Ciclo, das Associações Juvenis do Concelho, das estruturas de juventude partidárias e membros dos órgãos autárquicos. O CMJ permitiria um diálogo verdadeiramente democrático, que daria, com certeza, à Câmara Municipal a oportunidade de realizar projectos que fossem ao encontro das necessidades da juventude.

Entretanto, a Juventude Socialista aguarda com grande expectativa um gesto de sensatez por parte da CDU, dando início ao processo de criação do CMJ e concretizando a verdadeira Gestão Participada, que permite aos jovens participar activamente na nossa comunidade.
Ana Telha da Silva

Cultura, mas pouco!

A semana da juventude decorreu entre os dias 21 de Março e 3 de Abril e contou com algumas actividades que visavam envolver a camada mais jovem do nosso concelho. Mas mais uma vez, o executivo reprovou no “teste”. Faltou fazer uma auscultação. Se trabalhamos para jovens, são eles que interessam e são eles que devemos ouvir. Quais os seus interesses? O que querem eles ver realizado na cidade? Quais os seus passatempos preferidos?

Falta motivá-los a participar activamente na sociedade onde estão inseridos. Falta a coragem de mudar de rumo, de inovar. A verdade é que o formato stand-up aliado a um concerto é de todo entediante e desconcertante.Foi uma ideia bem estruturada desenvolver projectos no âmbito do teatro e mesmo da saúde, mas o quedizer do debate “ Juventude - trabalho e educação. Que políticas”? A divulgação não foi feita. Não chegou ao público alvo. Era inevitável que na platea estivessem menos de uma dezena de participantes.

Daqui pode também o leitor retirar uma conclusão. Quando interessa ter público para certas iniciativas (em período eleitoral ou fora dele), basta sair à rua e ouvimos, alto e em bom som, o apregoar das “missivas”.

Quando não interessa passar a mensagem a muita gente porque os argumentos são fracos e a vontade de dinamizar não existe, a inércia acontece.

Depois do “chumbo”, cabe ao executivo ponderar a sua classificação. A juventude é parte integrante de Vendas Novas e precisa de ser apoiada, dando-se-lhe a expressão e a atenção que merece.
Cátia Sousa Silva

Flagrante



Talvez tenha passado despercebido a muitos dos vendasnovenses que se deslocaram ao novo mercado municipal de Vendas Novas, mas houve dois pormenores que não escaparam ao Rosa dos Ventos:

Primeiro, não houve inauguração com a pompa e circunstância a que o PCP nos habituou de há muitos anos a esta parte. Estará tal facto relacionado com a necessidade de poupar recursos devido à crise? Julgamos que não! O mais provável (para mal ddas famílias carenciadas e vítimas do desemprego, que em nada são apoiadas pela Autarquia) é que o PCP deixe para a época eleitoral tal inauguração.

Em segundo, depois de uma visita ao mercado no dia seguinte à abertura, o Rosa dos Ventos reparou em pequenos baldes que já coloriam o pavimento. Será que, à semelhança de outros equipamentos do concelho, como a Biblioteca Municipal, também o “novo e moderno” Mercado Municipal meterá água? Será que, após gastar 2,5 milhões dos impostos dos concidadãos europeus e portugueses, já necessitamos de reparos no local? Além disso, que já podemos também encontrar no local algumas calhas de electricidade no exterior das paredes (prova de mau planeamento da instalação eléctrica por alturas do projecto de um dos maiores investimentos no concelho).

Continuaremos atentos a situações semelhantes por Vendas Novas esperando que tais “fugas” de água sejam reparadas a tempo da inauguração que poderá muito bem acontecer num dia inapropriado para os equipamentos deste concelho: um dia cinzento e chuvoso.

Editorial

Atravessamos nos dias de hoje tempos muito difíceis a vários níveis: uma crise financeira sem precedentes trouxe-nos uma grave recessão económica, desemprego e receio do futuro. Simultaneamente, continuamos a enfrentar ameaças à nossa segurança, como o terrorismo e a criminalidade.

Que altura melhor para enfrentar estes novos desafios e começar a participar activamente junto daqueles que podem contribuir para a resolver?

Após o convite da Juventude Socialista de Vendas Novas para escrever o presente editorial do Jornal Rosa dos Ventos apercebi-me de que este é o tempo certo para intervir e contribuir com tudo o que temos ao nosso alcance para mudar a sociedade e propor soluções para que as dificuldades de hoje não se reflictam no amanhã. Assim, agradeço a oportunidade que me dão de ter voz na minha comunidade.

De facto, o número deste jornal que dou a conhecer ao leitor guiar-se-á sob dois vectores principais que: a crise económica e social que atravessa o mundo, o nosso país e o concelho de Vendas Novas, mas também as eleições europeias do próximo Domingo, que poderão ser a oportunidade para os portugueses intervirem e iniciarem uma nova fase na história da Europa.

Ainda nesta linha de pensamento, julgo que a principal arma ao serviço dos cidadãos é a participação cívica nas grandes questões que envolvem a nossa comunidade na sociedade nacional, europeia e mundial, traduzida na expressão máxima da democracia: o voto.

Deste modo, apelo a todos os vendasnovenses e a todos os alentejanos que exerçam esse direito no próximo dia 7 de Junho, votando no partido que mais e melhor nos tem representado na Europa: o Partido Socialista.

Luís Bombico

Parque Industrial: Miopia estratégica

Portugal e o mundo vivem tempos difíceis. O aumento do desemprego generalizado leva muitas famílias para o desemprego, aumentando o número de pessoas a viver na pobreza. Neste cenário de crise mundial, Vendas Novas não é excepção e o seu parque industrial viu reduzido o número de trabalhadores. No entanto, se passarmos em revista a tipologia das empresas presentes no Parque Industrial de Vendas Novas, percebemos que a sua maioria actua no sector Automóvel e Corticeiro. Sendo estes dois dos sectores mais afectados pela crise, era de esperar um aumento do desemprego no Concelho. A realidade demonstra que o desemprego aumentou no Mês de Março 29% em relação ano anterior, sendo que este ano civil registou um aumento de 23% no 1º Trimestre.Como tal, o Parque Industrial de Vendas Novas necessita de um maior dinamismo, promovendo uma maior captação de empresas de diferentes sectores económicos.

O Parque Industrial foi criado em 1993, através de uma sociedade mista entre a Câmara Municipal e um grupo de investidores privados e beneficia de um posicionamento estratégico e de uma excelente rede de comunicação. No entanto, não tem demonstrado capacidade para atrair empresas de áreas com perspectiva de crescimento.

Um dos sectores que, mesmo em tempo de crise, mais tem crescido em Portugal é o Sector dos Serviços. Olhando para o Parque Industrial de Vendas Novas, percebemos que as empresas de serviços aqui instaladas não têm uma expressão significativa, resultado das fracas infra-estruturas com capacidade para albergar uma empresa deste tipo.

A criação de condições para as empresas se fixarem no Concelho é da responsabilidade da Autarquia, e não do Governo, como erradamente ao longo dos anos tem sido referido. O Estado tem obrigação de captar investimento e promover a criação de emprego no País. No entanto é competência dos Municípios atrair esses investimentos para o seu território. Essa captação é feita através de investimentos em infra-estruturas de qualidade e benefícios fiscais. No nosso Concelho vemos que essa captação tem sido mal realizada, tendo por base horizontes demasiado curtos.

Chegamos pois à conclusão que a “visão estratégica” do Município para o parque industrial de Vendas Novas é, na verdade, uma Miopia Estratégica, devido à má aplicação de medidas de incentivo à fixação de empresas.
Ricardo Mateus

sábado, 30 de maio de 2009

sexta-feira, 22 de maio de 2009

(Des)Envolver na Cidadania


Luís Dias

Quais as consequências sociais e politicas da fraca participação cívica dos jovens nas questões que nos preocupam e movem? Quais os impactos desta fraca participação na vida quotidiana das nossas instituições?
Conseguiremos nós mudar este desinteresse geral pela res publica, de que já os gregos falavam? E o que motivará este distanciamento geracional da política e dos centros de tomada de decisão?

Estas são algumas das grandes questões que inquietam aqueles que pensam e reflectem sobre a sociedade do nosso tempo. É, portanto, necessário dar-lhes resposta, para que possamos encontrar soluções para estimular o empenhamento da juventude. É fundamental sabermos qual o grau de responsabilidade a atribuir aos jovens de hoje, integrando-os naquelas que são as decisões que mudarão as suas vidas e a dos que os rodeiam e assim, contrariar a tendência de passividade e desinteresse pela participação cívica.
O caminho é o de fazer chegar aos jovens, de forma positiva e humilde, a necessidade que a nossa sociedade tem da sua opinião e das suas acções cívicas, e ainda das implicações dessa actividade na esfera individual e colectiva.

Na era das tecnologias, muitos são os meios à nossa disposição para criar, alterar, aceder e difundir informação. Há alguns anos este era o grande desafio que se colocava aos jovens (que agora são os nossos pais) – o acesso a informação fidedigna em tempo útil – e o grande dilema era a confiança na mensagem. Hoje, move-nos a motivação de estimular essa busca pela informação, a confiança no que é transmitido, criando assim agentes activos na produção e dessa mesma informação.

Ninguém duvida que é nas redes sociais, físicas ou virtuais, que hoje se fundam os grandes interesses das novas gerações, devendo estas ser olhadas como um meio privilegiado de acesso aos jovens de hoje.

Devemos empenhar-nos em transmitir uma simples mensagem: “Tu fazes a diferença!”. Mostrar aos jovens que o seu empenho e dedicação são agentes de mudança per se, e estimular uma relação causa-efeito entre o exercício da cidadania o impacto social desse exercício, num contexto que há muito deixou o âmbito local e assumiu um carácter global.

Seja através do associativismo, seja da política, ou de outras formas de intervenção social, a verdade é que vários são os modos de participação cívica ao dispor de qualquer cidadão (sobretudo dos mais jovens).

Do ponto de vista político será ainda mais importante empenhar jovens naquele que será o nosso e o seu futuro. Num ano com 3 actos eleitorais, com a cobertura mediática que implicam e com a massa humana que movimentam, seria lamentável perder a oportunidade de trazer os jovens à política, em prol dos seus interesses.

Muito deste trabalho cabe, obviamente, aos partidos políticos envolvidos na sociedade democrática portuguesa. O papel de "Velho do Restelo” e a prevalência do interesse individual sobre o colectivo são, neste caso, agentes dissuasores da aproximação dos jovens à participação democrática.

É necessário inundar a política portuguesa de novos rostos, novos valores e novas atitudes. Só assim conseguiremos inverter o actual rumo de desinteresse dos jovens pelo seu país. É necessário envolvê-los e renovar continuamente os valores democráticos. Mais do que nunca, importa educar para a cidadania, dar voz e oportunidades de intervenção aos jovens para que estes se sintam integrados e acolhidos num processo que ditará os próximos anos das suas vidas e da sua sociedade, enquanto cidadãos portugueses e europeus.